A poética usa o sentido concreto e o abstrato, pois além da luz acontecer na realidade, as ideias iluminam a sua direção para o futuro, em que poderá melhorar o mundo através de ações que fará na vida do próximo.
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A Luz
Não encontrei o que calçar
Ao amanhecer, o Sol raiava
O sol ergueu-se no céu
Saí e sobre a areia fria eu andava
O dia já estava no meio
Quente, a areia já queimava
O percurso era longo
Corri para logo chegar
A corrida me deixou cansado
Parei e entrei em um bar
Olhei buscando uma cadeira
Para poder me sentar
Não havia uma no espaço
Abaixei e no piso me sentei
Ouvi um taco bater numa bola
Um rapaz disse: - Eu tentei
O outro disse: - Na caçapa
- Agora me emburrei
Ao sair, pisou em minha perna
O perdedor da sinuca
Mordeu a língua furioso
Perguntei: - Tem olhos na nuca?
Ele disse – Tenho ferida maligna
Continuou: - Isso tu entenderás é
Nunca.
Fui falar com uma mulher
Que vestia de púrpura e era dona do
bar
Queria saber sobre a falta de
cadeiras
- Porquê não tem onde se sentar?
- Um bicho entrou e quebrou tudo
- Vejo o tanto que conseguiu
estragar!
Indaguei: - Qual é a espécie do
bicho?
Curioso eu queria saber tudo
- Ao ver o vulto dele, o local
escureceu
Quando ela respondeu eu fiquei mudo
- O bicho tinha cabelos vermelhos
- No escuro com um animal graúdo?
Em seguida, fiz outra pergunta
- Como sabe a cor, se estava em
treva?
- Nos móveis, havia cabelos
- Peço algo ou dirá não se atreva?
Envergonhado, ouvi sua resposta:
- Antes que eu responda, descreva!
- Um calçado que proteja os meus pés
Sombra surgiu na estrada de terra
Nuvens negras cobriram o céu
Sem o sol, a luz encerra
Ela disse: - Não, só tenho os que uso
- Posso ajeitar até porta que emperra
- Você pode voltar para sua jornada
Eu segui o conselho e saí do local
Um relâmpago fortíssimo clareou tudo
Pensei: "isso sucede em clima
tropical"
No instante, não consegui enxergar
Querendo ver, mantive-me vertical
Um trovão me fez tapar os ouvidos
Pedras geladas caíram na cabeça
A dor ficava, e um líquido percorria
“Espero que perdido não permaneça “
Ouvi uma voz dizer: - Joaquim!
Pensei “Joaquim, reconheça!”
Ele me conhecia, eu também deveria
Continuou: - Você quer me seguir?
Respondi: - Preciso de sua ajuda
A chuva, deixou de prosseguir
Meus pés, ele se pôs a calçar
Eu disse: - Não consigo lhe
distinguir...
- Eu lhe conheço há muito tempo
- Os calçados não farão falta,
Senhor?
- Não, e sinto feliz por lhe ajudar
- Outrem tem nada e do futuro só
temor
Após um tempo, ele respondeu:
- Haverá como ajudar com louvor!
- Como ajudarei alguém sem ter renda?
- Com ações, que estiver precisando
- Sou agradecido por essas suas ações
- Olhe quem estiver necessitando
- Assim como olha por mim?
Certo, como estou lhe guiando
Vi uma luz e a realidade revelou
Podia ver os pássaros a voar
Pensei “Isso torna o mundo melhor”
Andar sem medo de tropeçar
Queria agradecer a quem me ajudou
“Cadê aquele que comigo veio a
andar?”
Não vendo meu guia, disse: - Ah! Mas...
Pensei “Preciso replicar a boa ação”
Minha mãe disse - estava nessa chuva?
Mãe, ver você é uma benção
Percebi que estava na casa dos meus
pais
Sim, a chuva me deixou com muita
tensão
- Mas como você está seco, meu filho?
- Estou enxarcado de sangue
- Não entendo o que você está dizendo
- Granizos faziam em mim bangue
Tateando, não senti os ferimentos
- Fale, mas não se zangue
- Não há sinal do que me aconteceu
- O que importa é que está bem
Entrei em casa e me sentei no sofá
Queria agir como o guia, também
Sendo útil com pequenas ações
Numa oração que falariam amém
Autor: Kmin Até Tu
