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A Luz (Poesia com 17 estrofes)

Capa da poesia "A Luz" criada digitalmente. A imagem mostra uma luz no centro e o resto em preto com o título sobre a luz branca. Na parte superior está o nome do autor, Kmin Até Tu

                A poética usa o sentido concreto e o abstrato, pois além da luz acontecer na realidade, as ideias iluminam a sua direção para o futuro, em que poderá melhorar o mundo através de ações que fará na vida do próximo.

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            A Luz

 

Não encontrei o que calçar

Ao amanhecer, o Sol raiava

O sol ergueu-se  no céu

Saí e sobre a areia fria eu andava

O dia já estava no meio

Quente, a areia já queimava

 

O percurso era longo

Corri para logo chegar

A corrida me deixou cansado

Parei e entrei em um bar

Olhei buscando uma cadeira

Para poder me sentar

 

Não havia uma no espaço

Abaixei e no piso me sentei

Ouvi um taco bater numa bola

Um rapaz disse: - Eu tentei

O outro disse: - Na caçapa

- Agora me emburrei

 

Ao sair, pisou em minha perna

O perdedor da sinuca

Mordeu a língua furioso

Perguntei: - Tem olhos na nuca?

Ele disse – Tenho ferida maligna

Continuou: - Isso tu entenderás é Nunca.

 

Fui falar com uma mulher

Que vestia de púrpura e era dona do bar

Queria saber sobre a falta de cadeiras

- Porquê não tem onde se sentar?

- Um bicho entrou e quebrou tudo

- Vejo o tanto que conseguiu estragar!

 

Indaguei: - Qual é a espécie do bicho?

Curioso eu queria saber tudo

- Ao ver o vulto dele, o local escureceu

Quando ela respondeu eu fiquei mudo

- O bicho tinha cabelos vermelhos

- No escuro com um animal graúdo?

 

Em seguida, fiz outra pergunta

- Como sabe a cor, se estava em treva?

- Nos móveis, havia cabelos

- Peço algo ou dirá não se atreva?

Envergonhado, ouvi sua resposta:

- Antes que eu responda, descreva!

 

- Um calçado que proteja os meus pés

Sombra surgiu na estrada de terra

Nuvens negras cobriram o céu

Sem o sol, a luz encerra

Ela disse: - Não, só tenho os que uso

- Posso ajeitar até porta que emperra

 

- Você pode voltar para sua jornada

Eu segui o conselho e saí do local

Um relâmpago fortíssimo clareou tudo

Pensei: "isso sucede em clima tropical"

No instante, não consegui enxergar

Querendo ver, mantive-me vertical

 

Um trovão me fez tapar os ouvidos

Pedras geladas caíram na cabeça

A dor ficava, e um líquido percorria

“Espero que perdido não permaneça “

Ouvi uma voz dizer: - Joaquim!

Pensei “Joaquim, reconheça!”

 

Ele me conhecia, eu também deveria

Continuou: - Você quer me seguir?

Respondi: - Preciso de sua ajuda

A chuva, deixou de prosseguir

Meus pés, ele se pôs a calçar

Eu disse: - Não consigo lhe distinguir...

 

- Eu lhe conheço há muito tempo

- Os calçados não farão falta, Senhor?

- Não, e sinto feliz por lhe ajudar

- Outrem tem nada e do futuro só temor

Após um tempo, ele respondeu:

- Haverá como ajudar com louvor!

 

- Como ajudarei alguém sem ter renda?

- Com ações, que estiver precisando

- Sou agradecido por essas suas ações

- Olhe quem estiver necessitando

- Assim como olha por mim?

Certo, como estou lhe guiando

 

Vi uma luz e a realidade revelou

Podia ver os pássaros a voar

Pensei “Isso torna o mundo melhor”

Andar sem medo de tropeçar

Queria agradecer a quem me ajudou

“Cadê aquele que comigo veio a andar?”

 

Não vendo meu guia, disse: - Ah! Mas...

Pensei “Preciso replicar a boa ação”

Minha mãe disse - estava nessa chuva?

Mãe, ver você é uma benção

Percebi que estava na casa dos meus pais

Sim, a chuva me deixou com muita tensão

 

- Mas como você está seco, meu filho?

- Estou enxarcado de sangue

- Não entendo o que você está dizendo

- Granizos faziam em mim bangue

Tateando, não senti os ferimentos

- Fale, mas não se zangue

 

- Não há sinal do que me aconteceu

- O que importa é que está bem

Entrei em casa e me sentei no sofá

Queria agir como o guia, também

Sendo útil com pequenas ações

Numa oração que falariam amém

 

                         Fim 

 

Autor: Kmin Até Tu

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